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Alberto Torres

Alberto Torres nasceu em 1865 em Porto das Caixas, Itaboraí (RJ), filho de uma família de nome, mas não de muitas posses. Filho de um advogado, Manuel Martins Torres, assim como o pai militou no Partido Liberal ao longo do Império. Frequentou os cursos de Direito de São Paulo e Recife, formando-se neste último em 1885, envolveu-se em núcleos republicanos e abolicionistas de estudantes e fez parte do grupo que fundou a revista Idéia. Formado e de volta ao Rio de Janeiro, atuou como jornalista em órgãos como O Povo, que ajudou a fundar, e O Paiz, além de se dedicar à militância dentro do Partido Republicano do Rio de Janeiro. Escritor nacionalista e defensor da centralização do poder – e crítico do arranjo institucional federativo da Primeira República – Alberto Torres foi uma referência nos anos 30, considerado por muitos como uma matriz do pensamento autoritário brasileiro.

Alberto Torres foi abolicionista e advogou a defesa da descentralização e da federação, mas criticou tanto os “radicalismos” de Luís Gama e José do Patrocínio, quanto os arroubos revolucionários de Silva Jardim, cerrando fileiras ao lado do líder moderado Quintino Bocaiúva, defendendo “um regime republicano democrático, em que a Nação delegará o poder Legislativo a deputados, que deliberarão, e o poder Administrativo ao Presidente do Conselho, que executará.” (Torres, A. apud Lima Sobrinho, 1968, p. 81).

No início do novo regime seu grupo foi alijado do governo. Mas com a queda de Deodoro novas eleições para as assembleias estaduais foram realizadas e Alberto Torres elegeu-se para a Alerj, mas não passou muito tempo na casa, sendo eleito em 1893 para uma vaga na Câmara Federal. Atuou no combate aos chamados “sindicatos”- empresas estrangeiras que buscavam explorar as riquezas minerais e concessões de vias férreas no país – e na defesa do território nacional. Teve ainda uma breve passagem pelo Ministério da Justiça no governo Prudente de Moraes antes de assumir o cargo de presidente do estado do Rio de Janeiro, entre 1897 e 1900. Foi como chefe do executivo fluminense que Alberto Torres enfrentou as maiores dificuldades de sua carreira, chegando a sofrer uma tentativa de impeachment por conta da instituição do imposto territorial rural no estado. O ITR fazia parte de um plano mais amplo que buscava diversificar a agricultura e parcelar a propriedade. Torres ainda teria uma experiência no Judiciário, ao ser indicado, em 1901, ao Supremo Tribunal Federal, onde ficou até 1909.

As experiências de Alberto Torres serviram para consolidar seus ideais nacionalistas, mas também para provocar um desencanto em relação às instituições republicanas, notadamente os partidos políticos. Dois são seus livros mais importantes: O Problema Nacional Brasileiro e A Organização Nacional, ambos publicados em 1914. No primeiro aparece o ideário nacionalista: a defesa do “povo” e a necessidade da formação da nação. O nacionalismo de Torres se reflete na defesa das riquezas nacionais e no ataque aos estrangeirismos – que vão desde os investimentos até a valorização da civilização urbana. O nacionalismo, porém, não se confunde com o militarismo, sendo o pacifismo outra faceta do pensamento do autor podendo ser encontrado principalmente nas duas obras em francês que versam sobre política internacional: Vers la paix (1909) e Le problème mondial (1913). Outro aspecto a ser destacado é a recusa das explicações baseadas em teorias raciais. Nesse sentido, junto com Manoel Bomfim, Alberto Torres foi pioneiro na rejeição de explicações racistas para uma pretensa inferioridade ou atraso do país.

Mas é A Organização Nacional a obra responsável pela sua “fama”. Na busca por entender a relação estabelecida entre a sociedade e o Estado no Brasil, Torres demonstrou a sua insatisfação com o arranjo institucional republicano e apontou a necessidade de uma reforma constitucional que dotasse o Estado de instrumentos mais potentes na condução da sociedade. Na segunda parte do livro apresentou um projeto de constituição, introduzindo um quarto poder – o poder coordenador – e defendendo a representação classista ao lado da representação política clássica.
A defesa de um Estado forte, a crítica aos partidos políticos e ao parlamento, o nacionalismo e a defesa do agrarismo tornaram-se a marca deste autor que inspirou gerações e teve seguidores à esquerda e à direita. Classificado como autoritário por boa parte da literatura mais recente, foi o mestre intelectual de Oliveira Vianna, mas também inspirou a criação do ISEB, como atestava Guerreiro Ramos (outro discípulo).

Morto em 1917, seu legado foi reconhecido principalmente no Brasil pós-30. Em 1932 era fundada a Sociedade de Amigos de Alberto Torres, entidade destinada à divulgação da obra do “mestre”. Mas foi principalmente por meio de seu discípulo mais importante – Oliveira Vianna – que suas ideias se tornaram mais conhecidas.

Sugestões de leitura:
FERNANDES, Maria Fernanda L. (2010). “O pensamento político de Alberto Torres: a reforma constitucional e o Estado Brasileiro” in: BOTELHO, André e FERREIRA, Gabriela N. Revisão do pensamento conservador: ideias e política no Brasil. São Paulo: Hucitec.
LIMA SOBRINHO, A. Barbosa (1968). Presença de Alberto Torres: sua vida e pensamento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
MARSON, Adalberto. (1979). A Ideologia Nacionalista em Alberto Torres. São Paulo: Duas Cidades.
TORRES, Alberto. (1978). Organização Nacional. São Paulo: Cia. Editora Nacional. (1ª edição: 1914).
TORRES, Alberto. (1978). O Problema Nacional Brasileiro. São Paulo: Cia. Editora Nacional. (1ª edição: 1914).